A importância do toque e calor humano nos primeiros meses de vida

Você já viu aquelas fotos de bebês recém-nascidos em seus primeiros momentos de vida? Aquelas fotos do bebê peladinho na balança ou sendo medido sua altura e circunferência da cabeça? A câmera consegue captar os pezinhos e bracinhos em movimento, que parecem procurar algo. O bebê sai do útero da mãe, um lugar quentinho, apertado, molhado. E encontra outro meio, não se sentindo muito confortável nesse espaço vazio, amplo, sem contato.
Outro ponto que quero ressaltar nessas fotos de recém-nascido sozinho é que me parece faltar algo, alguém ao seu lado para protegê-lo. Essas imagens causam estranheza pois os bebês nascem totalmente dependentes.

O antropólogo Ashley Montagu comparou a maturidade neurológica do recém-nascido com a de outros animais mamíferos, que nascem mais desenvolvidos e já se locomovem, por exemplo. O tempo necessário para o bebê ter uma certa autonomia e garantir sua sobrevivência, como os demais mamíferos, seria correspondente ao de uma outra gestação – 9 meses; com o cérebro mais amadurecido, e, portanto, maior, não seria possível passar pelo canal vaginal. Esse estudioso apresentou a nós a teoria da exterogestação, demonstrando o quanto o toque e o calor humano são essenciais ao amadurecimento do bebê nessa segunda gestação, ocorrida fora do útero.

O Método Canguru é um exemplo da importância do contato pele-a-pele com o neném. Em 1978, a falta de leitos neonatais em Bogotá, na Colômbia, levou o médico pediatra Dr. Reys Sanabria a colocarem os prematuros no colo de suas mães, tornando-se uma “incubadora natural”. O resultado observado foi a redução das taxas de infecção e tempo de internação, melhora nas taxas de aleitamento materno, ganho de peso e estabilização da temperatura (termorregulação).

É possível a prática nos hospitais do Brasil?

Sim, o Método Canguru é reconhecido pelo Ministério da Saúde e foi implantado através da portaria nº 1.683, de 12 de julho de 2007; promovendo, assim, a atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso, ressaltando que ele não é um substitutivo das unidades de terapia intensiva neonatal nem da utilização de incubadoras, segundo as normas da portaria.

O colo é terapêutico, então?

Sim, temos o colo como terapia mais indicada especialmente nos primeiros meses de um bebê. A posição canguru (bebê na vertical, em contato com o peito do cuidador) evita o refluxo, traz alívio e diminuição das cólicas. É no colo que ele se nutre emocionalmente, consequentemente ele chora menos e melhora o padrão e qualidade do sono.
Um recurso para aumentar a permanência no colo é o carregador de bebê, também chamado de sling. É preciso observar como ele é usado para que o bebê fique em uma posição ergonômica e apropriada para a idade, sendo aconselhado que o bebê fique em posição vertical e voltado para o cuidador (peito e cabeça do bebê encostado com o peito do cuidador) e ele não pode ficar deitado, sob o risco de sofrer asfixia. Dentre vários modelos no mercado, os ergonômicos são aqueles que dão apoio às nádegas e às coxas, ou seja, as pernas não podem ficar penduradas mas com os joelhos levemente elevados; e, dão apoio à cervical e à coluna (que fica em formato de “c”), principalmente nos três primeiros meses. Há pessoas especializadas em dar essa orientação e se chamam “assessoras de babywearing”, passando segurança para a mãe e o pai nesse processo de aprendizado.

Como a mãe é quem geralmente cuida do bebê a maior parte do tempo, devido a amamentação, licença maternidade, e, até pela falta de pessoas para a apoiarem, torna-se difícil aumentar esse tempo de colo visto que ela também tem outros afazeres, sobretudo o cuidado da casa. O uso do sling/ carregador de bebê torna-se um aliado para autonomia da mulher, pois com o bebê no colo e as mãos livres, é possível executar outras tarefas com ele. Mas ao mesmo tempo é preciso repensar o apoio que tanto a mãe quanto o bebê tem para serem cuidados. Sim a mãe também precisa de colo, ou seja, apoio emocional e auxílio para não ficar sobrecarregada.

E agora, carrinho de bebê ou sling?

Para finalizar, quero colocar que em nossa cultura é muito mais comum ver o bebê sendo levado para passear no carrinho de bebê e há ainda a crença equivocada de que o bebê irá ficar manhoso se receber muito colo. Sair de casa e fazer uma caminhada com seu bebê no colo ou carregado no sling traz uma sensação de bem-estar, favorece a interação, estimula a troca afetiva para ambos!
Podemos passar a admirar o contato físico e emocional por sabermos o quanto é essencial, belo e agradável tanto para a mãe e o pai, quanto para o bebê.

Obs: Confira as ilustrações explicativas sobre a posição ergonômica dos carregadores de bebês no site:
https://carregarergonomico.wixsite.com

Bibliografia
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.683/GM, de 12 de julho de 2007. Aprova, na forma do Anexo, as Normas de orientação para a implantação do método canguru. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jul. 2007.
MONTAGU, Ashley. Tocar: o significado humano da pele. 5.ed. São Paulo: Summus, 1988.
SOUZA, R. R. G. Uso da bolsa canguru em bebês a termo saudáveis: a relação com a
amamentação e a percepção materna. 2017. 128f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2017.

Caroline Lampe Kowalski Machado

Caroline Lampe Kowalski Machado

Psicóloga Clínica
CRP: 12/10806

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